A beleza importa. Fomos projetados para o belo. A humanidade foi inserida no cosmo, na beleza equilibrada, na perfeição da lógica, no equilibrio das cores.

A obra de Deus se manifesta na mais perfeita ordem naquilo que nos é visível. Deus se manifestou a cada um de nós, primeiramente em sua criação, e especialmente em Cristo. Nisto tudo a presença do belo. Disto isto precisamos prestar atenção no que veio então de nós através da cultura e da arte. A propria palavra cultura é resíduo de nossas mãos. Deus nos deu um mandato. Este mandamento “dado às mãos” era para que cuidassemos e continuassemos a harmonia de Deus na terra que nos fora dada.

O ser humano então, intrinsicamente produz cultura. Manifesta-se estéticamente. Nas letras, nas artes, nas ciências diversas. Tudo que fazemos traduz então a marca de Deus em nós. O próprio fazer já é um impulso divino. Sabemos da história por completo.  Fomos maculados e com o pecado a morte em todos seus derivados. Morte nos relacionamentos, na cultura, nas artes. Nossa manifestação deixa então o belo ser atingido pela feiúra, pelo grotesco, pela queda.

É fácil perceber. A feiúra progride e avança. A estética não traz equilibrio e cosmo. Agora traz ruptura e caos. No afã de sermos pós-modernos deixamos de lado o fazer e a técnica, o calculo e o belo para colocarmos nosso pensamento revoucionário também nas artes.

Não me refiro ao pintar aquilo que é desagradável, retratar a guerra ou escrever as desgraças da vida. Falo da arte sem sentido e de mal gosto. Das performanses non-sense que nada dizem e das telas em branco que estão mais preocupadas com pegadinhas estéticas do que com o fazer do artista. O belo morre pois não se vê Deus nas artes.

Em Deus vivemos, nos movemos e existimos diz Paulo no aerópago. Faz de seu discurso um fazer estético, uma apresentação de arte em um discurso para os Gregos ouvirem como ouviam suas odes a Diana. Nossas manifestações precisam estar n’Ele.

A humanidade perde a ligação com o divino e na necessidade da religião passa ao longo da história produzindo sua arte sem perceber que a cada dia se afastava de Deus ao mesmo tempo que o homem vitruviano tomava o trono.

Roger Scruton é claro ao falar:

“Então, no século XX, a beleza deixou de ser importante. A arte, gradativamente, se focou em perturbar e quebrar tabus morais. Não era beleza, mas originalidade, atingida por quaisquer meios e a qualquer custo moral, que ganhava os prêmios. Não somente a arte fez um culto à feiúra, como a arquitetura se tornou desalmada e estéril. E não foi somente o nosso entorno físico que se tornou feio: nossa linguagem, música e maneiras, estão ficando cada vez mais rudes, auto centradas e ofensivas, como se a beleza e o bom gosto não tivessem lugar em nossas vidas.”

Temos de religar a arte. Não uma arte religiosa, sacra e idólatra mas uma arte que sem intenção fale aos homens aquilo que Deus é. Beleza, equilibrio, cosmo em meio ao nosso caos. Precisamos urgente buscar uma arte que mostre a natureza de Deus e a dádiva dos dons aos homens.

O labor do tabernáculo e cada detalhe dedicado a Deus mostra que há intenção na manifestação artística. Precisamos do adorno, da boa musica, do fazer artístico manifesto na gastronomia. Sobra-nos caos, falta-nos cosmo.

Precisamos da beleza de Deus.

“A humanidade perde a ligação com o divino e na necessidade da religião passa ao longo da história produzindo sua arte sem perceber que a cada dia se afastava de Deus ao mesmo tempo que o homem vitruviano tomava o trono.”

Bruno Barroso. Pastor presbiteriano, ministro de crianças e juniores na Oitava Igreja presbiteriana de Belo horizonte. Bacharel em artes Plásticas, bacharel em Teologia e pós graduado em Sociologia.


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